sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Puxo o fumo

[imagem : em aquarela de Agnes Cecile]

Eu deposito a essência de personagens em cavaletes e, cada um de uma cor, arremesso-os esperando o surgir da contemporaneidade da arte, a expressão que muitos cospem, exceto a minha que jamais será exposta. E continuo pintando as paredes, o chão, meu rosto e o meu corpo. Palavras de outros, gestos e olhares. Nada meu. Tantas cores não deveriam trazer felicidade?
Ando nas ruas com algo estragado dentro de mim, talvez seja um sinal de nascença na alma, ou simplesmente surgiu com tudo que absorvi do mundo; porém hoje parece estar latente o que enegrece meus dias. Vejo tanta bondade e oportunismo juntos que chego a confundir. Nada me atrai. E quem eu amo não enxerga minhas tonalidades. E “puxo o fumo”, aguçando fantasmas hediondos de um âmago pouco acessado, calo-me na tentativa de disfarçá-los, porém eles riscam meus olhos de vermelho e todas as pessoas ao meu derredor dizem que estou triste e pedem para que eu beba mais álcool, respire conforto na mesa de desconhecidos de um bar. Eu, os outros e meus demônios.

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