[imagem : em aquarela de Agnes Cecile]
Eu deposito a essência
de personagens em cavaletes e, cada um de uma cor, arremesso-os esperando o
surgir da contemporaneidade da arte, a expressão que muitos cospem, exceto a minha que
jamais será exposta. E continuo pintando as paredes, o chão, meu rosto e o meu
corpo. Palavras de outros, gestos e olhares. Nada meu. Tantas cores não
deveriam trazer felicidade?
Ando nas ruas com algo
estragado dentro de mim, talvez seja um sinal de nascença na alma, ou
simplesmente surgiu com tudo que absorvi do mundo; porém hoje parece estar
latente o que enegrece meus dias. Vejo tanta bondade e oportunismo juntos que
chego a confundir. Nada me atrai. E quem eu amo não enxerga minhas tonalidades.
E “puxo o fumo”, aguçando fantasmas hediondos de um âmago pouco acessado,
calo-me na tentativa de disfarçá-los, porém eles riscam meus olhos de vermelho
e todas as pessoas ao meu derredor dizem que estou triste e pedem para que eu
beba mais álcool, respire conforto na mesa de desconhecidos de um bar. Eu, os
outros e meus demônios.

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