sábado, 5 de janeiro de 2013

Café, rum e o tal do Amor Perfeito


Retemo-nos mais um pouco na noite nublada e ofuscante dos restos de enfeites natalinos. Sentamo-nos numa cafeteria cheia de charme e detalhes nas paredes que tornavam o lugar mais agradável do que o meu próprio apartamento. Um dos serviços descritos no cardápio era o “amor perfeito”, algo que consistia na mistura de café, chocolate, rum e outros elementos, eu não sei quem foi o gozador que nomeou tal drinque, mas funcionou, porque ficamos a prosear e debochar da bebida. Eu ri internamente quando a garçonete falou para ele “nós não temos o chocolate europeu, então o seu amor perfeito não ficará igual” e ele “tudo bem”, com seu sorriso desconfiado, ela retomou “eu posso fazer um com chocolate normal, mas não sei se você vai gostar do amor perfeito assim”, eu ri audivelmente, os dois pararam pra me olhar procurando revisar no meu rosto em que parte do diálogo havia algo engraçado, assim voltei minha fronte a mesa como se eu estivesse perdido e eles à questão. “Eu quero um magnífico então...” apontou para o cardápio com o indicador. Rimos. Rimos. Nem a cafeteria ou a garçonete poderia nos oferecer um amor perfeito. Então ficamos a bebericar o “magnífico”. Chocolate, sorvete, café, silêncio, amor e um pouco de descaso, com o tempo, com as datas festivas, com o medo do próximo ano, com o resto. Rimos. Era o fim de mais um passeio a dois.

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