Retemo-nos mais um pouco na noite
nublada e ofuscante dos restos de enfeites natalinos. Sentamo-nos numa
cafeteria cheia de charme e detalhes nas paredes que tornavam o lugar mais
agradável do que o meu próprio apartamento. Um dos serviços descritos no
cardápio era o “amor perfeito”, algo que consistia na mistura de café,
chocolate, rum e outros elementos, eu não sei quem foi o gozador que nomeou tal
drinque, mas funcionou, porque ficamos a prosear e debochar da bebida. Eu ri
internamente quando a garçonete falou para ele “nós não temos o chocolate
europeu, então o seu amor perfeito
não ficará igual” e ele “tudo bem”, com seu sorriso desconfiado, ela retomou “eu
posso fazer um com chocolate normal, mas não sei se você vai gostar do amor perfeito assim”, eu ri audivelmente,
os dois pararam pra me olhar procurando revisar no meu rosto em que parte do
diálogo havia algo engraçado, assim voltei minha fronte a mesa como se eu estivesse
perdido e eles à questão. “Eu quero um magnífico
então...” apontou para o cardápio com o indicador. Rimos. Rimos. Nem a
cafeteria ou a garçonete poderia nos oferecer um amor perfeito. Então ficamos a bebericar o “magnífico”.
Chocolate, sorvete, café, silêncio, amor e um pouco de descaso, com o tempo,
com as datas festivas, com o medo do próximo ano, com o resto. Rimos. Era o fim
de mais um passeio a dois.

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