Ei, sopro de alma, menina das palavras, pequena e grande
mulher.
Você é a parte linda do reflexo do leito de um rio, quase
uma música de tão sonora, reflexo sempre em distorções, naquele mesmo
movimento, o “assíncrono no peito”, (mas quem se importa?), a noite você tem
toda a lua como roupa. Queria não fazer desse momento único de festejo seu algo
leviano pra te encher de palavras e palavras, são só palavras. Meu desejo de
adornar a mulher bela com joias, uma coisa tão peculiar sua; toda a minha
negação de vê-la presentear a outra reprimia o desejo de dizer que quem merecia
ouro era você, a única dona do amor. Do toque de torpor. A saliva da perdição.
Você, menina, você, mulher, você, Lureen.
Queria enviar, mesmo que por correspondência, todo o meu
amor. Reinos. Rubis por serem vivos. Uma peça de artesanato. Um pedaço do rio
que se formou na minha pia, (você bem sabe que onde vivo não tem água, só
asfalto, daquela mesma poeira que fomos feitos e respiramos), foi nessa pia que
vi o espelho, olhei-me e achei-te. Não tenho nada, nada além do meu pobre,
velho e manjado papo. Nosso canto de vitrola que pula no mesmo risco do disco,
mas que ouvimos sempre com um sorriso na quina dos lábios, como doces senis que
apagam um passado em goles quentes, de coçar a ponta do nariz, em xícaras de
porcelana, de alzheimer. E estamos aqui em mais um gole, um ano, e distantes o
bastante pra escrever. Assim como sentados na mesma classe e trocando folhas de
confissões, sempre distantes o bastante pra não se esquecer.
A madrugada está dizendo do amanhã e das obrigações, mas
quero que leve esse “esforço” da noite mal dormida, como algo feito pra você,
mas não acredite que é algo a ser valorizado, pois se perdi o sono foi porque
não sabia o que dizer. Nada relevante. É sono.
Nunca me leve a sério já que nada posso te dar. Um dia
poderei...
Mesmo que seja apenas palavra, Parabéns!
Eu amo você.
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