quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Poesia ou prosa mal construída.

[Imagem: Em aquarela de Agnes Cecile]

Tempo seco. Tudo opaco. Melancolia que de tão irrisória começa a incomodar. Farpas de um descontentamento. Impotência. Desrazão.
Vagou tanto com o pouco que sobrou de si, hoje não encontra nada.
E nem as moléculas de dignidade suspensas no ar são suficientes para formarem nuvens, dispersam-se com um sopro de palavras.
A noite pede ouvidos, o escuro clama silêncio e o pior é que está. As sombras sempre obtiveram o que desejavam. E ele a reclamar. Nem mesmo o cigarro queima o bastante pra entontecer aquele que traga como se fosse o último fôlego debaixo d’água.
Involuir. O ato contrário à própria vida.
Definições vazias.

EU. ELE.
Tudo que construí.

As entrelinhas são mal vistas. Há os que fingem que não veem. E os que não fazem questão mesmo.
Agora posso usufruir dos planetas que se encaixam em todos os vãos dessas letras. Posso nomear de arte. Vangloriar meu ego ao reler. E constatar que não disse nada.
A arte é tão falsa quanto às cores visíveis. E pobre são os que nem cores veem. Note que as mesmas lorotas outros sussurram sobre o amor...
Preto, cinza e escarlate.

EU. ELE.
E tudo que construí.

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